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A flecha do amor só traz angústia e a dor...
Este pequeno trecho de um hit dos anos 60 representa a decepção que algumas pessoas tinham, já nesta época, com este tal do amor. Mais de 40 anos se passaram, e ainda hoje temos muitas pessoas amaldiçoando o tal cúpido, com medo de mais sofrimento e dor. E é só chegar uma época especial, como dia dos namorados ou festas de fim de ano, que podemos ver as pessoas se dividindo em alguns grupos. Há aqueles que estão namorando, e estão vivendo um mar de rosas, tendo como única preocupação escolher um bom presente. Há aqueles que estão namorando, mas que estão em crise, e talvez nem se lembrem do presente, afinal, quem é que sabe se ainda estarão namorando até as festas. Outro grupo é formado pelos que não estão namorando. E neste grupo, há ainda subgrupos:
Os que estão in love, mas que ainda estão tentando colher alguma coisa, sem se submeter ao sofrimento ou dor, levando este momento de paquera numa boa. Mas outros, os de amores não correspondidos, que sofrem, e se deixam sofrer. Para estes tenho um recado: se liga, se toca, pare de se desvalorizar... você só vai piorar e detonar sua auto-estima. Analise o terreno, se for o caso, tente uma última investida, mas não como um(a) coitadinho(a), mas sim com firmeza. Tente mostrar para a outra pessoa o que ela estará perdendo, que ela é quem precisa de você, e não o contrário. E se você está vendo que deste mato não sai coelho, cai fora, parte pra outra. Com certeza há alguém em algum lugar esperando alguém exatamente como você.
O problema é que estas pessoas levam a paquera e o namoro muito a sério. Eu já fui assim. A pessoa que está sendo cortejada se torna “sua vida, seu tudo”. Isso é péssimo. Sérgio Savian, psicoterapeuta de relacionamentos, escreveu um livro chamado Paquera: Brincadeira de gente grande. Ele trata exatamente disso. A paquera tem que ser um momento bom e agradável, e não tenso e doloroso. Se está te fazendo sofrer, é porque não é bom pra você. Tente se animar, tratar as coisas com mais humor, afinal, todo mundo gosta de pessoas bem humoradas, mas é muito chato alguém grudado no seu pé chorando: “Eeeeuuu te amo!!! Eu não vou conseguir mais viver sem você!!! Eu preciso de você.”
E há outros dois subgrupos, dentre os que não namoram. Um é constituído de pessoas que não estão nem ai para este negócio de amor, de namoro. Seja porque já se machucaram tanto que aprenderam a estar bem sozinhas, seja porque no momento existem outras prioridades em sua vida, como o trabalho por exemplo.
E o último subgrupo? Pessoas que não tem ninguém especial em vista, que de certa forma se cansaram de correr atrás de um “amor”. Alguns se revoltam, e se tornam as pessoas da música, contrárias ao amor, querendo esganar o cúpido, apagar o dia dos namorados do calendário, estourar todo balão de coraçãozinho que ver pela frente e atropelar todos os casaizinhos apaixonados que ficam todo melados por aí, como se estivessem numa novela mexicana. Isto se explica tanto pelo medo de sofrer, como pelo medo de ficar sozinho, a famosa inveja. Afinal, com datas especiais se aproximando, estas pessoas provavelmente ficarão sozinhas, sem presente, sem beijo melado, sem declarações, sem coraçãozinho, sem cobertor de orelha nestes dias frios.
Poderia ser triste, mas eu já aprendi a lidar muito bem com isso. Digamos que hoje estou numa mescla, um pouco de cada grupo, mas com uma dose maior do último subgrupo.